Glossário do Guia de Informações sobre Centro de Recuperação, Dependência Química e Tratamento de Drogas Assista vários vídeos sobre drogas, centro de recuperação e testemunhos de ex-drogados.
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Comunidade Terapêutica


Comunidade Terapêutica

Comunidade terapêutica – origem e definição:

 

Sullivan que, em 1931, pela primeira vez usou o termo "Comunidade Terapêutica" para designar uma instituição que, funcionando como um organismo social, podia modificar terapeuticamente um individuo, desde que ele se integrasse a ela de maneira ativa e articulada.

 

Mas foi em 1953 que as comunidades surgiram a partir das observações clínicas de Maxwell Jones. Psiquiatra do exército inglês, Jones começou a desenvolver esse modelo para soldados com traumas decorrentes da II Guerra Mundial.

 

Introduz a idéia da democratização do atendimento que era feito nos hospitais psiquiátricos. A diminuição da distância entre direção, a equipe de tratamento e os internos, cria uma organização social democrática.

 

A participação ativa dos internos na própria terapia, a comunicação livre entre todos, as assembleias reunindo todos os participantes da Comunidade, são aspectos que não deixam dúvida sobre o fundamento da proposta.

 

Com esse propósito, organizou um serviço de internação baseado em abordagens educativas, encenações dramáticas e discussões, dentro de um ambiente pautado pelas normas de convivência em grupo. Posteriormente, ampliou seu modelo para outras patologias crônicas.

 

Jones considerava que seus pacientes "representavam o 'fracasso' na sociedade; eles advinham primordialmente de famílias desestruturadas e eram desempregados; inevitavelmente, desenvolveram atitudes anti sociais na tentativa de se defenderem contra aquilo que lhes parecia ser um ambiente hostil". Para estes, a construção de padrões de relacionamento nunca adquiridos durante a vida só seria estimulada dentro de um ambiente grupal seguro e terapêutico.

 

Comunidade terapêutica – Evolução e conceitos:


Durante os anos 50, as comunidades ganharam grande notoriedade como uma alternativa para o tratamento psiquiátrico. As comunidades exclusivamente desenhadas para o tratamento da dependência de álcool e drogas começaram a surgir durante os anos sessenta. Dois modelos de tratamento influenciaram ativamente essas primeiras comunidades: o Modelo de Minnesota e o Modelo Synanon.

 

Comunidade terapêutica – Modelo Minnesota:


A popularidade do método de tratamento (12 passos) proposto pelos Alcoólicos Anônimos fez com este chegasse às clínicas de tratamento. Essa versão institucional do AA ficou conhecida como Modelo de Minnesota. Geralmente, o tratamento começa em regime fechado e isolado, podendo durar de 28 dias a vários meses. Nessa fase, há um programa intensivo de terapia de grupo, palestras, leituras e reuniões de AA. O tratamento internado é sucedido por reuniões temáticas do programa de Alcoólicos ou Narcóticos Anônimos. A equipe é composta por antigos usuários, que vivem o programa de recuperação de Doze Passos com sucesso e passaram a colaborar com a recuperação de outros. Esse modelo influenciou e até hoje influencia boa parte das comunidades em todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil.


Comunidade terapêutica – Modelo Synanon:


No dia 18 de setembro de 1958, Chuck Dederich e mais alguns companheiros alcoólatras em recuperação membros de Alcoólicos Anônimos decidiram viver juntos para, além de ficarem em abstinência, encontrar uma nova maneira de viver. Fundaram em Santa Mônica na Califórnia a primeira Comunidade Terapêutica que se chamou Synanon. Lá era aplicado o conceito de ajuda as pessoas em dificuldades feita pelos próprios pares.


Os referenciais teóricos deste novo método iam de Platão a Freud, passando por Buda, Emerson e São Tomás de Aquino. De formação leiga, Dederich não propunha apenas um modelo comunitário, mas um mas sim um novo lar, uma nova e definitiva sociedade para todos os dependentes de substâncias psicoativas e suas famílias, que decidissem acompanhá-lo voluntariamente. Tais dependentes eram em sua maioria indivíduos com antecedentes de crimes, aprisionamentos e falhas na tentativa de abandonar o consumo de drogas pelos métodos tradicionais.

 

A partir dos anos setenta, no entanto, Dederich decidiu transformar o Synanon em religião, centralizada na obediência total a sua figura, o que ocasionou na falência do modelo. O modelo Synanon, no entanto, não desapareceu por completo e parte de seus preceitos ainda é utilizado como método de prevenção nas escolas e como recurso terapêutico.

 

Esse tipo de alternativa terapêutica se consolidou e deu origem a outras comunidades terapêuticas que, conservando os conceitos básicos, aperfeiçoaram o modelo proposto pela Synanon.

 

A Comunidade Daytop Village, fundada em 1963, é o exemplo mais significativo deste tipo de abordagem. A experiência atravessou o Oceano Atlântico e deu início a programas terapêuticos no norte da Europa, principalmente na Inglaterra, Holanda, Bélgica, Suécia e Alemanha.

 

No início de 1979, a experiência chegou à Itália, onde fundou-se uma Escola de Formação para educadores de CT's que deram um novo impulso na Espanha, América Latina, Ásia e África.

 

Elena Goti, em 1997, lembra que a comunidade não se destina a todo tipo de usuário, que deve ser utilizada apenas no caso dos dependentes, que já possuem danos e dificuldades sociais e pessoais, e que o residente é o principal ator de tratamento, ficando a equipe com o papel de proporcionar apoio e ajuda.

 

George De Leon, em 2000, realça que a comunidade é uma abordagem de mutuo ajuda, fora das intervenções psiquiátricas, psicológicas e médica. Que há uma tendência para equipes mistas. Discursa sobre uma natureza do ambiente como um todo, e todas as intervenções devem seguir este princípio terapêutico. O reconhecimento de que os companheiros são os principais agentes de mudança; a manutenção das características de uma família ajustada; a não aceitação às drogas, ao contato sexual e à violência física. Possui um enfoque da pessoa como um ser holístico. Grande flexibilidade, além de caracterizar o processo de aprendizagem e recuperação a longo prazo, que deve resultar em abstinência completa de drogas, mudanças de cunho pessoal e no estilo de vida do paciente. Dar ênfase à pessoa e não a droga. De Leon demonstra preocupação é não alterar as linhas fundamentais da proposta.

 

Comunidade terapêutica – Atualidade:


Hoje, as comunidades possuem um tratamento comunitário altamente estruturado que emprega sanções, privilégios e prestígios determinados pela comunidade como parte de um processo de recuperação. As comunidades fomentam o crescimento pessoal por meio da mudança de comportamentos e atitudes individuais. Essa mudança está ambientada em uma comunidade de residentes e profissionais trabalhando juntos para ajudar a si mesmos e aos outros, tendo como foco a integração individual dentro da comunidade. Elas proporcionam o crescimento e mudança individual, além de incorporar princípios comportamentais e sociais e fazer a integração social do indivíduo.

 

 

 

"Unimos a experiência dos que já vivenciaram a dependência química e hoje estão livres das drogas com o
profissionalismo de nossos médicos, psicólogos, nutricionistas e educador físico. A soma dessas forças fazem do
Centro de Recuperação Grupo Recanto uma das melhores opções no tratamento de drogas para dependentes químicos."
Fabricio Selbmann
Dir. Grupo Recanto